(...)
Eu soube, então, a ideia lacerante
que o atormenta, e o faz correr,
e o faz olhar, tristonho, o céu radiante,
radiante, e alheio ao seu sofrer:
de matou aquela que adorava,
- por causa disso vai morrer.
No entanto (ouvi) cada um mata o que adora:
o seu amor, o seu ideal.
Alguns com uma palavra de lisonja,
outros com um duro olhar brutal,
O covarde assassina dando um beijo,
o bravo, mata com um punhal.
Uns matam o Amor, velhos; outros, jovens;
(quando o amor finda, ou o amor começa);
matam-no alguns com a mão do Ouro, e alguns
com a mão da Carne — a mão possessa!
E os mais bondosos, esses apunhalam,
- que a morte, assim, vem mais depressa.
Há corações vendidos, e há comprados;
uns amam, pouco, outros demais;
há quem mate a chorar, vertendo lágrimas,
ou a sorrir, sem dor, sem ais.
Todo homem mata o Amor; porém, nem sempre,
nem sempre as sortes são iguais."
(...)
Oscar Wilde
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Funchalense
Choramos ao nascer porque chegamos a este imenso cenário de dementes.
Confesso que não conheço a escrita de Oscar Wilde, mas devo dizer que gostei muito deste excerto. Parece que vou ter de comprar uns livritos... Sugestões?!
Em primeiro lugar, campanário, sugiro O Retrato de Dorian Gray, onde Wilde nos fala da arte, da vaidade e das manipulações humanas. Vale mesmo a pena! E como gostou deste poema, escrito durante o tempo em que esteve preso, aconselho Rosa Mystica. E já agora leia também O rouxinol e a rosa, um conto infantil muito ternurento.
Boas leituras! ***************
Funchalense
Choramos ao nascer porque chegamos a este imenso cenário de dementes.
O retrato de Dorian Gray tive a oportunidade de ver em peça de teatro há uns anos e sei que também há um filme antigo... quanto às outras sugestões obrigado vou tratar de procurar depois digo!